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Tesouro Direto: títulos, taxas e riscos

O Tesouro Direto é a porta de entrada da pessoa física para os títulos públicos federais. Veja o que cada título paga, quanto custa manter, como sair antes do prazo e onde estão os riscos.

Editor responsável:
Daniel Ferreira

Publicado em · 7 min de leitura

Também disponível em: English

Em três pontos

  • Há títulos pós-fixados (Selic), prefixados e atrelados ao IPCA, com ou sem juros semestrais, além de Educa+, RendA+ e o Tesouro Reserva, lançado em maio de 2026.
  • A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano, com isenção no Tesouro Selic até R$ 10 mil por CPF; o IR segue a tabela regressiva de 22,5% a 15%.
  • O risco de calote é o do governo federal, sem FGC. O risco mais frequente para quem vende antes do vencimento é a marcação a mercado: o preço pode estar abaixo do pago.

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, desenvolvido com a B3, que vende títulos públicos federais a pessoas físicas pela internet desde 2002, segundo o site oficial do programa. Ao comprar um título, você empresta dinheiro ao governo federal e recebe juros por isso. É renda fixa: a regra de remuneração é conhecida na compra. Se quiser a comparação com outras famílias de investimento, veja Renda fixa e renda variável: riscos e características.

Este texto descreve os títulos, os custos e os riscos com base nas regras oficiais consultadas em 08/10/2026. Ele não indica título, não compara rentabilidades e não faz previsão de juros. Taxas e preços mudam todos os dias; confira os valores na plataforma no momento da operação.

Como funciona a compra

Pelas regras do Tesouro Direto (regulamento de 11/10/2024):

  • não há valor mínimo fixo em reais: a compra é feita em frações de 0,01 título, ou seja, pelo menos 1% do preço de um título. Por isso o valor de entrada varia de título para título. Quando a regra entrou em vigor, em 18/11/2024, o Bora Investir, da B3, citou entradas de R$ 7,67 no Tesouro Prefixado 2027 e de R$ 156,13 no Tesouro Selic 2027 (valores daquela data);
  • o limite de investimento é de R$ 2 milhões por pessoa por mês, somando todos os títulos;
  • a compra é feita por uma instituição financeira habilitada (banco ou corretora), que pode cobrar taxa própria, ou pelo canal oficial do Tesouro Direto.

Os títulos disponíveis

Cada título tem um nome comercial e uma sigla técnica. O quadro resume como cada um paga, conforme as regras oficiais e o Portal do Investidor, da CVM:

Título Sigla Como rende Como paga
Tesouro Selic LFT Acompanha a taxa Selic diária Tudo no vencimento
Tesouro Prefixado LTN Taxa fixa definida na compra; R$ 1.000 por título no vencimento Tudo no vencimento
Tesouro Prefixado com juros semestrais NTN-F Taxa fixa Juros a cada seis meses e principal no vencimento
Tesouro IPCA+ NTN-B Principal Inflação (IPCA) mais taxa fixa Tudo no vencimento
Tesouro IPCA+ com juros semestrais NTN-B Inflação (IPCA) mais taxa fixa Juros a cada seis meses e principal no vencimento
Tesouro Educa+ NTN-B1 Inflação (IPCA) mais taxa fixa Renda mensal por 5 anos, depois da fase de acumulação
Tesouro RendA+ NTN-B1 Inflação (IPCA) mais taxa fixa Renda mensal por 20 anos, depois da fase de acumulação
Tesouro Reserva - 100% da Selic Resgate a qualquer momento (veja abaixo)

Três grupos ajudam a entender o quadro:

  • pós-fixado (Selic e Reserva): o rendimento acompanha a taxa básica de juros, definida pelo Copom, do Banco Central. Como os bancos centrais usam os juros está em O que são bancos centrais e como atuam;
  • prefixado: você sabe, na compra, quanto vai receber no vencimento, em reais. Não sabe quanto esse valor vai comprar, porque isso depende da inflação;
  • atrelado à inflação (IPCA+, Educa+, RendA+): o valor é corrigido pelo IPCA e soma uma taxa fixa. A lógica da inflação está em Inflação: causas, medidas e consequências.

Os títulos com juros semestrais devolvem parte do rendimento antes do vencimento. Cada pagamento é tributado na data, e o dinheiro recebido precisa ser reaplicado se você quiser que ele continue rendendo, o que afeta o efeito dos juros compostos.

O Tesouro Reserva

O Tesouro Reserva foi lançado em 11/05/2026 pelo Tesouro Nacional e pela B3, em parceria com o Banco do Brasil, segundo comunicado da B3. As características informadas:

  • rendimento indexado à Selic, com aplicação mínima de R$ 1 e limite de R$ 500 mil por investidor por mês;
  • operação praticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, com liquidação via Pix; a página do título informa indisponibilidade diária entre 0h e 1h;
  • diferentemente do Tesouro Selic, não tem marcação a mercado, segundo a B3;
  • no lançamento, disponível apenas para clientes do Banco do Brasil, com outras instituições previstas depois. Confira na página oficial quais instituições já oferecem o título na data em que você consultar.

Custos: taxa de custódia e taxas da instituição

A B3 guarda os títulos e cobra uma taxa de custódia. Pela tabela de tarifas da B3, consultada em 08/10/2026:

  • a taxa é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, calculada diariamente desde a liquidação da compra;
  • ela é descontada quando há venda antecipada, vencimento ou pagamento de juros semestrais, do valor que você recebe;
  • no Tesouro Selic, não há cobrança até R$ 10.000,00 por CPF; acima disso, a taxa incide só sobre o excedente;
  • no Tesouro Educa+ e no Tesouro RendA+, há regra diferenciada, cobrada apenas no resgate ou no recebimento da renda: isenção até 4 salários mínimos (Educa+) ou 6 salários mínimos (RendA+) e 0,10% sobre o que passar disso; quem mantém o título até o vencimento não paga.

A página do Tesouro Reserva também informa taxa de 0,20% ao ano, com isenção até R$ 10 mil. Além da custódia, cada instituição financeira define se cobra taxa própria; confira antes de escolher onde operar.

Impostos

O imposto de renda incide só sobre o rendimento e é retido na fonte. A alíquota segue a tabela regressiva da Lei nº 11.033/2004, art. 1º, conferida em 08/10/2026:

Prazo da aplicação Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Segundo as regras do Tesouro Direto, há também IOF (imposto sobre operações financeiras) quando o resgate ocorre em menos de 30 dias da compra. Os juros semestrais pagam só IR, sem IOF.

Liquidez: como sair antes do vencimento

Você não precisa esperar o vencimento. As regras oficiais informam que o Tesouro Nacional recompra os títulos em dias úteis, das 9h30 às 18h, a preço de mercado. Pedidos feitos fora desse horário são processados com os preços da abertura do dia útil seguinte. Resgates pedidos entre 9h30 e 13h são liquidados a partir das 13h do mesmo dia; entre 13h e 18h, a partir das 13h do dia útil seguinte.

Dois detalhes práticos: as regras preveem que investimentos e resgates podem ser suspensos durante o dia, e os títulos com juros semestrais ficam sem opção de venda nos dois dias úteis anteriores ao pagamento do cupom.

Os riscos

Risco de crédito. O devedor é o Tesouro Nacional, e o site oficial afirma que os títulos são garantidos por ele. O risco, portanto, é o do governo federal brasileiro, e não há cobertura do FGC: o próprio FGC lista os títulos do Tesouro Direto entre os investimentos fora da garantia.

Risco de mercado (marcação a mercado). É o ponto que mais surpreende. Marcação a mercado é a atualização diária do preço do título pelo valor que ele vale hoje, e não pelo que você pagou. Se os juros de mercado sobem depois da compra, um prefixado ou um IPCA+ passa a valer menos, porque títulos novos pagam taxa maior. Quem vende antes do vencimento recebe esse preço e pode ter rendimento abaixo do contratado ou até perda. Quem mantém até o vencimento recebe a taxa combinada. Quanto mais longo o título, maior tende a ser a oscilação. No Tesouro Selic, a oscilação costuma ser pequena, mas existe; no Tesouro Reserva, segundo a B3, não há marcação a mercado.

Risco de inflação. Num prefixado, se a inflação vier acima do esperado, o ganho real (acima da inflação) encolhe ou some. Nos títulos IPCA+, esse risco é menor no vencimento, mas o preço antes dele oscila.

Risco de liquidez e de horário. A recompra ocorre em dias úteis, sempre a preço de mercado, e pode ser suspensa. No Tesouro Reserva, a disponibilidade depende da instituição que oferece o produto.

Risco de reinvestimento. Nos títulos com juros semestrais, os cupons chegam ao longo do tempo e podem ter de ser reaplicados a taxas menores do que a original.

Risco operacional. A B3 faz a custódia dos títulos, mas a compra e a venda passam pela instituição escolhida. Confira se ela é habilitada no site oficial e desconfie de quem ofereça “Tesouro” fora dos canais oficiais; veja Golpes financeiros digitais: como evitar e como reagir.

Títulos públicos e tokenização

No Tesouro Direto, a custódia dos títulos é feita pela B3, em sistema tradicional. Projetos que testam títulos públicos representados em registros digitais são outro assunto, tratado em Tokenização de títulos públicos: aplicações e limites.

O que levar deste texto

  • Antes de escolher um título, entenda como ele rende (Selic, taxa fixa ou IPCA mais taxa), quando paga e qual é o prazo. Um título é adequado ou não conforme o seu objetivo e o seu horizonte, não pelo nome.
  • Os custos principais são a taxa de custódia de 0,20% ao ano da B3 (com isenções), eventuais taxas da instituição, o IR regressivo e o IOF nos primeiros 30 dias.
  • O risco de calote é o do governo federal, sem FGC. O risco mais comum na prática é vender antes do vencimento por um preço de mercado abaixo do esperado.

Fontes

  1. Conheça o Tesouro Direto, Tesouro Direto (Tesouro Nacional e B3). Acesso em 8 de outubro de 2026
  2. Regras e Regulamento, Tesouro Direto (Tesouro Nacional e B3). Acesso em 8 de outubro de 2026
  3. Novas regras do Tesouro Direto entram em vigor hoje e impactam valor mínimo para investir, B3: Bora Investir. Publicado em 18 de novembro de 2024 · Acesso em 8 de outubro de 2026
  4. Tesouro Selic: Títulos públicos, Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Portal do Investidor. Acesso em 8 de outubro de 2026
  5. Secretaria do Tesouro Nacional e B3 lançam Tesouro Reserva com operação 24h nos 7 dias da semana (24x7), em parceria com Banco do Brasil, B3. Publicado em 11 de maio de 2026 · Acesso em 8 de outubro de 2026
  6. Tesouro Reserva, Tesouro Direto (Tesouro Nacional e B3). Acesso em 8 de outubro de 2026
  7. Tarifas de Tesouro Direto, B3. Acesso em 8 de outubro de 2026
  8. Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, Presidência da República. Publicado em 21 de dezembro de 2004 · Acesso em 8 de outubro de 2026
  9. Sobre garantia FGC, Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Acesso em 8 de outubro de 2026

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Este artigo é educativo e informativo. Não é recomendação personalizada de compra, venda ou manutenção de nenhum ativo. Criptoativos e ativos tokenizados têm riscos, inclusive de perda total; as regras mudam de um país para outro.

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